segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Somos lembrados
por aquilo que deixamos de fazer.
Num momento de FALTA de respeito,
num dia por FALTA de paciência.
Todo o sentido da existência
se remete à falta de cumprimento
do que poderia ser eterno.
Nem a imagem resiste ao infortúnio.
Ela se queima angustiada
pela incompetência de não oferecermos
o que de melhor se esconde em nós.
É pelo abuso da falta de compreensão
que nos dirigimos à memória da humanidade
e nos fixamos nela.
O tempo só discorre
aquilo que ele aguenta segurar.
Por que se arriscaria por adjetivos soltos?
O que não somos é o que nos torna ser humano.
A nossa falta de atitude
nos presenteia com a figura
mais assustadora de todas:
nós mesmos!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Das minhas dúvidas,
cuido eu!
Todo o espanto da incerteza
me encaminha para uma profunda reflexão.
Desistir, como eu desisti,
não abandona, simplesmente,
a inevitável dor do persistir.
Ainda tenho comigo toda a vontade
naquilo que não tenho,
toda a sensação esfriada
pela racionalidade que me liberta ao sonhar.
Experimento o lúdico embaraço
de não ter certeza do que fazer,
pois fazer algo corresponde
ao mínimo de certeza que não se encontra.
Resta-me o passo do passado,
daquilo que ficou marcado
pelos versos que já mencionei.
Nada do que posso
é viável pelo lado pragmático.
Insistir, persuadir, manipular!
Se as ações desse tipo
se concretizassem
nem a verdade eu teria.
Seria, pois, a minha própria invenção,
todo o saber que necroso através dos sentidos.
Se acredito no AMOR?
Parece-me verdadeiro apenas aquele que sinto.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Previsão

Quais são as histórias?
Dê-me o sentido dos dois lados.
Apenas um contém
quantos forem necessários.
Nunca haverá um entendimento pleno.
Eu vejo o que esconde,
assim como escondo o que não quero que veja.
As informações se partem
numa verdade falsa e descarada.
Do outro, espera-se pouco,
mesmo que dele se obtenha de tudo.
A impressão é de que
nem os sentimentos são reais.
Há discorridas falhas
que penetram o fundo do peito
no mais excitante egoísmo.
Quando sinto dor,
esqueço-me do AMOR.
Quando amo,
aprecio toda a dureza
para torná-la digna de um aprendizado.
A solidão não se deixa compartilhar.
Lutamos contra o nosso eu fingido
que mastiga as nossas forças,
rindo sarcasticamente do que lhe é alheio.
Sou alheia a mim mesma.
Não participo dos meus méritos,
pois não os controlo ou planejo.
Crescer é dolorido demais
para apagarmos as barbaridades
que pensamos.
A cada etapa,
a determinada idade,
toda a crença nas suas ideias
perde a fantasia.
É o momento mais real
e mais angustiante da primeira existência.
Não cabe mais falsidades
em seus pensamentos,
porém não há público
que os consumam ou compreendam.
TEMÍVEL DESPERTAR!