quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Os vocábulos são escassos,
as frases incompletas,
porém as sensações persistem
na tentativa de inundar-nos.
Convocam os nossos sonhos
esmaltando a prateleira
que deixamos ao acaso
penduradas às paredes,
que seguram por tempos
nossos brinquedos esquecidos.
É para tornar tudo claro
que choramos água
e mais do que saborosa
por adocicar os lábios
apertados de tristeza.
Os sonhos, empoeirados,
nos trás a nostalgia da juventude.
Por isso a impressão
de termos sensações tão novas.
Não há descrição.
Não há relação alguma
que torne padrão o inexplicável.
Alimente-se da soberania
de poder sentir por uma única e exclusiva vez
o que somente você consegue entender.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Em comparação

Ao combinar o efeito desse e daquele sob a base de comparação nos damos, definitivamente, mal. Nada é mais frustante que esperar o "normal" e obter o anormal. Nenhuma dona de casa lava a roupa da mesma maneira, nem todos os filhos correspondem ao amor materno com a mesma intensidade, não é?! Então, porque continuamos esperando pela normalidade? Nada mais do que enfatizar o nosso atraso. Na realidade, há uma névoa encobrindo nossa inteligência de visualizar as horrendas esperanças que alimentamos. Há diversidade, sim. Portanto, não há o que temer. Nossas decepções nada mais são do que frutos de comparação com o que consideramos ideal e o que é real. Nesse sentido talvez eu não seja alguém real, talvez as pessoas me vislumbrem sob uma óptica falsa de puro interesse. Almejo a liberdade de poder ser o que sou, nem tão boa, nem tão má... simplesmente assim... neutra. Possuo meus métodos, avanço sobre meus passos e quero, realmente quero, ser dona de toda a verdade escondida em mim mesma, toda a sinceridade reprimida pela razão de não o ser real, e sim ideal. Preciso respirar minha autenticidade, saborear minhas próprias ilusões. Liberdade! Liberdade!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

As trilhas sonoras

Os momentos são embalados em trilhas sonoras. Há uma para cada estado de espírito. Evidentemente algumas músicas nos inspiram à composição mais doida de idéias, outras nos repelem de qualquer sensação animadora. Por exemplo, nesse exato momento, nessa postagem tenho meus ouvidos abertos para o estigma da trilha sonora (nesse caso, Norah Jones). Tendo exemplificado uma trilha sonora específica, sinto-me rude às composições musicais. Explicarei da seguinte forma: não me importa as letras inseridas nas melodias eu me aprisiono no estilo (tendenciosa ao meu estado de espírito). E o que importa eu soletrar em ordem alfabética todas as músicas que embalaram este ou aquele momento? Hãn?! O que importa? As trilhas sonoras não servem para soletração, elas são mais intensas. Elas nos inspiram ou depedram. São nossos cárceres em julgamento. Liberte-os! Permitem que saiam, mesmo que voltem no final da tarde (como num indulto). Tudo o que é abstrato tende a nos fascinar. Descubra o que de abstrato guarda com as letras, ouça as trilhas.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Meia verdade

Presenciei um ataque da paixão em minhas dependências apenas um vez na vida - ainda, talvez. Tudo era nitidamente fora do meu alcance, sem explicação empírica nem, tão pouco, factual. Apenas consigo explicar que sentia. Sentia a paixão e me apaixonei por essa sensação. Havia me tornado viúva de meu dicernimento e agora escrava do pavor de sua completa fuga.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Iniciativa

Tudo tende a ter uma explicação, seja ela lógica ou espiritual. Parti ansiosa com essa frase na cachola e fui buscar minhas verdades. Refleti a respeito de tudo o que era simplesmente me dito como verdade como, por exemplo, o que era FELICIDADE. Segundo os conceitos aprendidos por outras gerações e transmitidos para todos as posteriores, felicidade é a conclusão de uma vida de estudos direcionada na aquisição de bens e constituição de uma família. Hãn?! Sinto-me feliz na vida acadêmica no intuito de um possível enriquecimento intelectual. Além disso, sinto prazer na escolha que fiz e tudo o que isso pode me trazer. Agora, adquirir bens é tão inevitável quanto adquirir dívidas. O sistema é cíclico, se você tem capital coloque-o onde ele exigi que é o seu lugar, no mercado. Família... não ousarei dizer que esse elemento não participa de nossa felicidade. Enfim, divulgo minhas conclusões. Felicidade: conceito renovável e limitado. Deixe-me explicar. Lembre-se num adolescente de 15 anos feliz com a possibilidade de iniciar sua "carreira" social, conhecer pessoas interessantes, talvez ingressar num namoro, sonhar com a faculdade, etc, etc. Tudo isso era a sua felicidade. Limitada ao que poderia obter naquele momento. Em contrapartida podemos ter na vida adulta todos os sonhos de sucesso que nos deixam satisfeitos de felicidade. Portanto, conceito renovável, pois o que te inflava de felicidade aos 15 anos não te infla aos 25. Para ser feliz é atender ao que te satisfaz verdadeiramente, sem hipocresia, nem arrogância. A Felicidade, em geral, é muito simples. Ela é aquele suspiro de satisfação quando alcançamos um objetivo. Reflitam sobre novas possibilidades de ser feliz.